Alexis Babeau, CEO da divisão de luxo do Grupo PPR disse em Abril que o crescimento do segmento de moda masculina não era uma “moda” temporária, mas um fenômeno de crescimento de longo-termo (revejam aqui) e, ao que parece, cada novo reporte ou relatório vem confirmar essa tendência.
Segundo o último relatório da consultoria Bain & Co. que analisa o mercado mundial de luxo, o setor masculina superou o crescimento do feminino em todas as categorias analisadas, enfatizando a importância do mercado Chinês.
Tom Kalenderian, vice-presidente executivo da Barneys concorda com o relatório e completa que não somente as roupas formais e categorias tradicionais como gravatas e sapatos estão crescendo, eles (a Barney’s) estão focando fortemente em “fashion”. Temos um novo homem, um homem mais bem informado em relação à moda e estilo, como diz outro Tom, o também vice-presidente da Saks Fifth Avenue, Tom Ott: “embora seja um movimento ainda lento, o consumidor masculino atual entende de moda como nunca antes observado e está se interessando cada vez mais por moda e grifes de moda, eles querem saber das novidades, querem coisas exclusivas.”
Voltando à Barneys, Tom Kalenderian, ele ainda comenta da importância da internet para esse consumidor. O site da Barneys foi recentemente reformulado e a seção masculina recebeu especial atenção, que no ano passado apresentou taxas de crescimento de dois dígitos.
A indústria tem se organizado para fomentar ainda mais esse movimento masculino como por exemplo, a organização da London Collections – um evento de 3 dias em Londres dedicado à moda masculina, alguns dias antes da já tradicional feira Pitti Immagine Uomo em Florença, ambos eventos que antecedem as semanas da moda de Milão e Paris.
O designer Neil Barret disse que também percebe essa mudança e o mercado masculino ganhando mais atenção: “a moda feminina sempre concentrou todo o foco por ser mais glamourosa e divertida, mas há um renascimento em torno da moda masculina.”
Na Liberty London, tradicional loja multimarca inglesa, o setor masculino cresceu 17% em relação ao ano anterior, principalmente devido à moda casual e com novas e alternativas grifes como A.P.C e Folk and Norse Projects, sendo que a categoria de Acessórios que incluí óculos de sol, gravatas e bolsas cresceu 48% em relação à 2011.
Bolsa carteiro A.P.C
Esses resultados da Liberty mostram que mesmo com a maior atenção dada às semanas da moda de Milão e Paris, há um grande espaço para grifes e mesmo lojas de nicho e específicas. Tom Otto da Saks percebe que os consumidores cedo ou tarde vão perceber que as grifes não conseguem se especializar em tudo e completa que os homens, no que diz respeito à acessórios, já entendem que é importante tem o acessório certo para a ocasião certa.
O CEO da grife Jil Sander, Alessandro Cremonesi, diz que a compra masculina é bem mais consciente e ligada à qualidade. Durabilidade e conforto são qualidades que os homens procuram em suas compras de moda, reforçando o que comumente se fala entre as diferenças do comportamento de compra masculino e feminino.
Na Gucci, o masculino representa entre 35% e 40%, com roupas e sapatos sendo as categorias mais fortes, mas a empresa quer mais e tem investido muito nas bolsas e acessórios em couro, inclusive focando na volta de pastas executivas, disse o presidente e CEO da grife, Patrizio di Marco.
Outra grife italiana, a Brunello Cucinelli vê o que chama de luxo-casual predominando: jovens de 30 e poucos anos usando ternos de alfaiataria com tênis e camisa polo, mas os senhores entre 45-50 anos querem parecer mais jovens, e ressalta as particularidades culturais, por exemplo, na China, os homens ricos não querem usar terno e gravata porque é assim que os burocratas do governo costumam se vestir, então, eles procuram um estilo elegante mas esportivo.
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